quarta-feira, 18 de julho de 2012

As Escadas


Escadas:



O pai costumava dizer que a vida era como uma escadaria que tínhamos que subir, degrau a degrau. Quantos revezes não nos fizeram descer um lance por cada degrau que subimos… A verdadeira sabedoria, aquela que só se adquire com o tempo e alguns trambolhões, ensina-nos duas coisas importantíssimas: para cair, basta estar de pé e cabe a cada um de nós o saber reerguer-se.








Já subi e desci incontáveis escadarias, escadas e degraus. As primeiras de que tenho recordação são as da casa da Avó em Belém, escuras, de madeira e que rangiam debaixo dos pés de quem me transportava ao colo na subida. Depois havia as escadas que levavam ao sótão, onde a luz do sol que entrava por entre as telhas brincava alegremente nos degraus, tornando aquele lugar um reino encantado cheio de brilhos e cor.


A “casa velha" da Mãe tinha uma escadinha de pedra que desembocava num quintal ridiculamente pequeno, mas sempre florido, onde existia um tanque de pedra. Aí já subia pelo meu pé, amparada pela mão de alguém. A “casa nova” da mãe, na mesma rua, novinha a estrear, era um 3º andar com a vista para o Tejo mais bonita que eu já vi em toda Belém. Nessas escadas, de ascensão desgastante, na subida já estava entregue a mim própria.


Os meus castelos tinham obviamente escadas, mas felizmente não tive o prazer de travar grande conhecimento com elas, tampouco fazer amizade  J porque ao melhor  estilo “beam me up, Scotty”, subimos sem mexer os pés , naquela maravilhosa  invenção da tecnologia chamada elevador, versão urbana/familiar e melhorada do fantástico Elevador de Santa Justa, obra de Mesnier de Ponsard, que nos ascende para uma vista espectacular da Baixa de Lisboa.







Outras escadas houve que marcaram a minha vida como a maravilha de “Stairway to Heaven”, dos Led Zeppelin ( paixoneta habitual pelo Robert Plant), que ouvia, e ouvia, e ouvia… coisas de teenager inconsciente, ou todas as escadas que povoam o imaginário dos filmes de Hitchcock.






As Escadas da Bica, as Escadinhas de Alfama, o Bom Jesus, a Penha, Montmartre, Piazza di Spagna…. Foi sempre a subir, degrau a degrau, e tantas vezes á beira de desistir a meio…


Subo a escada no trabalho todos os dias, tanto em termos de hierarquia, como para chegar ao andar de cima( como na anedota da galinha) – o que eu costumo dizer que vale por uma ida diária ao ginásio, por tantas serem as vezes que me obrigo degraus arriba. Subo os degraus do escadote que tenho na cozinha, para poder alcançar os apetrechos que não utilizo todos os dias, tipo formas para bolos e pudins …







Espero que quando chegar a minha vez de enfrentar a última grande escadaria, me seja concedido o direito de a poder subir, e eu, que nessa altura não devo estar mesmo com pressa nenhuma, vou devagarinho, degrau a degrau.JJJ

2 comentários:

  1. Obrigada !!! ... tenho também que agradecer,( porque ando em aprendizagem constante e este blog ainda não fez dois meses) , porque à força de ver os teus links, :D :D aprendi a inseri-los também... Merci :D

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É aqui que me mandas dar uma curva