quinta-feira, 5 de julho de 2012

Com a casa às costas...


Campismo:


Actividade desportiva ou turística que consiste em viajar e acampar ao ar livre em tendas ou carros-reboque.



Como referi no final da Caravana IV, o Pai tomou o gosto pelas viagens, mas sem ser rico e com um agregado familiar de 5 pessoas, um cão e um cágado, era difícil marcar férias num resort á beira-mar ou num paraíso na montanha.


Tivemos o primeiro contacto com o campismo, quando uma amiga da Mãe deixou a tenda montada no Parque de Campismo da Foz do Arelho, para que pudéssemos usufruir duns dias. Completamente ignorantes do conceito (e de tudo o resto), fizemos uma data de asneiras, mas é assim que se aprendem as coisas, e aprendemos e gostámos tanto, que voltámos nos anos seguintes, claro está melhor equipados.

Depois de ter atravessado meia Europa, o Pai decidiu que ser campista também era ser um pouco cigano, e em Setembro de 1976 rumámos a Andorra, acompanhados por dois casais amigos dos pais que iam eles próprios á André Jamet (que tinha um outlet no principado) comprar  as suas tendas.

Assim chegados, assentámos arraias em Encamp, sítio lindo no sopé das montanhas, todo arrelvado e com um ribeiro a correr pelo meio, com a entrada para o teleférico quase em frente. O primeiro passo foi fornecer os amigos da parafernália  imprescindível a um bom campista, e depois de tudo montado, passeámos, descansámos, e apreciámos a paisagem.

Uma bela manhã, quando nos preparávamos para subir às montanhas, ninguém da nossa entourage (12 pessoas!) encontrou o calçado: o Menino, enquanto os outros se encontravam ocupados a “arrumar a casa”, entreteve-se a fazer corridas de barcos no ribeiro, com todos os chinelos e sandálias que encontrou, pelo que tivemos que passar o resto dos dias de havaianas, compradas numa lojinha do parque.

A viagem de teleférico, foi tudo menos ajuizada na cabine que compartilhei com o Mano, o que nos valeu um valente  raspanete da Mãe.  Lá no alto a vista era brutal ! Á chegada, éramos saudados por um folclórico indígena com uma espécie de garrafa enorme cheia de vinho, em que os homens provavam a sua condição, bebendo sem tocar no bico e sem entornar gota. Claro está, que as senhoras tiveram mais roupa para lavar do que gostariam estando também de férias. O resto das férias passou-se em passeios e sight- seeing, . Foi glorioso!

No ano seguinte fomos para Marrocos – yipyy  ya-ya- yipyy- yipyy ya !! O Pai tinha um VW Beetle cor de areia, adaptado com uma bagageira no topo, onde cabia toda a  data de tralha que convém a um campista profissional: A tenda com 3 quartos e um avançado, cobertura de chão, colchões, almofadas de encher e bomba, sacos de dormir, cadeiras, mesa, fogão, loiça de cozinhar e comer ( muito gira , tudo em inox), e roupas e necessaires para 5 pessoas. O Pai era um ás em conseguir meter o Rossio na Rua da Betesga!

Acampámos em Algeciras, no parque Costasol, e dali partimos no Ferry para uma excursão organizada por Marrocos : Ceuta,  Tanger, Tetouan, um pequeno tesouro nas montanhas de Rif, e Xauen. A imagem que tenho de Marrocos manda por terra qualquer ideia da mística  dos contos árabes. Apesar de muito bonito, era sujo, e o cheiro a sebo, tomava todos os outros sentidos de assalto.

Depois do regresso a Algeciras, a Mãe e o Pai voltaram a Ceuta no Ferry para fazer compras, deixando-me encarregue dos rapazes no parque de campismo; ainda tenho a convicção de que só faltou “um bocadinho assim” para sermos expulsos, porque o menino AKA “Niño Loco” aspergia a partir da cabeça de leão da saída da água na piscina, toda e qualquer pessoa que aspirasse a um sossegado período de bronzage…

 Voltámos a Portugal a fazer turismo pela Costa del Sol, e comparadas com as nossas praias do Algarve, Marbella e Torremolinos não são nada de especial. Têm a areia escura e grossa… mas têm a água muito mais quente… J


A partir daí, o Pai tomou o gosto pelo parque de Turismo de Lagos, onde as 3 André Jamet, eram montadas todos os anos em Fevereiro ou Março em triângulo, com uma clareira no meio e um para-quedas de seda branco e laranja por cima, e nos meses de Verão recheadas de todos os apetrechos necessários às férias, dos quais já contavam uma pequena televisão e um mini- frigorífico. E continuou assim, ano após ano, enquanto a saúde do Pai o permitiu. Festejei lá os meus 20 anos; a Mãe fartou-se de cozinhar e convidou quase todo o parque (estamos a falar do mês de Agosto!) para um drink.



As lembranças de Lagos e da ronda das praias são fantásticas! Adorava a Meia Praia e Porto de Mós; os banhos de lama, a "Caça aos Bivalves" na ria de Alvor, a pesca das taínhas na ponte, as idas a Ayamonte quando ainda se atravessava o Guadiana de barco...
O Algarve é lindo e sossegado, e é uma paixão de muitos anos.

AS minhas pequenas perguntaram várias vezes porque é que não acampamos… pois… a palavra acampar traz muitas recordações gratificantes e nos dias de hoje nunca seria a mesma coisa: perguntar-me-ia todos os dias quando saísse para a praia, se no regresso encontraria a tenda e o recheio no sítio onde os deixei....

Sem comentários:

Enviar um comentário

É aqui que me mandas dar uma curva