quinta-feira, 12 de julho de 2012

A 5ª Mãe : Belém, a Love Story


Belém:


Link->Breve História sobre :  Belém



Foi Belém que me viu nascer. Viu nascer 6 gerações da família que para ali veio habitar, oriunda da Meia Laranja, na Tapada das Necessidades : a Trisavó Carolina e os irmãos, a Bisavó Júlia e os irmãos, O Avô Américo e os irmãos, a Mãe e as irmãs, a Mim e aos meus irmãos e, se contarmos o traçado antigo (em que era Concelho e delimitado entre as Ribeiras de Algés e de Alcântara), viu nascer também as minhas Pérolas.



Quem cresceu a ver muito mar, consegue entender a frustração que é viver numa selva de pedra. A nossa casa é o nosso castelo, seja lá onde ele estiver… frase bonita e romântica, mas completamente vazia de realidade.










Crescer em Belém foi um luxo que as minhas Pérolas não tiveram. Crescer em Belém, foi crescer um pouco dentro da História de Portugal, e ainda hoje á beira da Torre inspirando a maresia, se fechar os olhos consigo imaginar as naus da Cruz de Cristo a partir para as incertezas do Mar Oceano.

Fui á escola no Bairro, em frente aos muros do antigo Jardim do Ultramar, gema de um verde luxuriante, remanescente da Exposição do Mundo Português de 1940. Curiosamente, foi num dos muitos lagos do jardim, transformado em piscina privada, vulgo “Caldo Verde” devido á cor da água, que eu e milhares de crianças se iniciaram na aprendizagem da natação.


Merendar no jardim, dar pão aos patos, pescar no pontão, andar de triciclo junto á Memória onde a Tia Adelaide tinha uma mercearia com cortinas esvoaçantes, ir ao Confeiteiro comprar rebuçados de alteia e mel, ir ver o Avô arbitrar jogos de futebol nas Salésias, e mais tarde no Estádio do Restelo…


Com o passar do tempo, aumentou a responsabilidade de me deslocar sozinha para o antigo Palácio dos Condes da Ribeira, onde funcionava o Liceu Rainha D. Amélia, e onde concluí o 2º ano do curso complementar (7º ano dos Liceus),na área de Germânicas. Fazia o percurso de Carro Eléctrico, para o qual recebia diariamente 5 tostões para pagar o bilhete. Cedo aprendi que sair 15 minutos mais cedo e fazer o percurso a pé,  valia uma ida ao Confeiteiro J

Construí o meu primeiro castelo na dita selva de pedra, mas o chamamento do mar a perder-se lá além no horizonte, trouxe-me todos os dias de volta á terra que me viu nascer sob a vista maravilhosa da casa da Mãe. Presentemente, já não temos a casa de Belém; subimos um par de quilómetros e  achámos um lugar tranquilo que possuía a condição si ne qua non para a mudança : ver muito mar. Mas vou todos os dias para Belém; vejo-lhe a mudança, oiço-lhe o nome em tantas línguas, tomo-lhe o pulso, degusto-lhe o doce, cheiro-lhe o mar.



Durante toda a vida dum ser humano, há quase sempre uma constante,  e é da natureza humana amar quem nos criou. 


 Eu adoro Belém, e como diria o músico, Ontem, Hoje e Amanhã... e Sempre.

8 comentários:

  1. Olá Dulce (posso tratá-la assim ou ainda prefere "Mãe da Andrea? :-) )
    Como e a percebo... não cresci aí, mas passei uma grande parte da minha infância, até porque os meus pais trabalham em Belém há 35 anos! Também me estreei, involuntariamente, na natação em Belém, não no jardim colonial, mas sim naqueles lagos ao pé da estátua do Vice rei Afonso de Albuqyerque! dorei o post que me fez lembrar a minha doce meninice :-)

    Um beijinho,
    Sofia

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  2. Minha querida, eu sempre fui só a Dulce( que também é Mãe da Andréa e da Renata). Que bom que que gostaste. Fico feliz em poder compartilhar uma paixão. Beijinho para as tuas "piquenas". Um Xi<3. D

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  3. Querida Dulce,

    Escreve de forma exímia e sempre com o coração! Gosto muito dos seus posts. Continue a revelar a óptima escritora que é e, sobretudo, a mostrar o excelente coração e alma com que Deus a presenteou.

    Sinto a falta da sua alegria lá no nosso local de trabalho nos dias da sua folga.

    um beijinho
    Lúcia

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    1. Obrigada Lúcia Amanhã já lá estou, provavelmente mais assoberbada, sem+re a 100 a hora e muito menos eloquente.... como de costume

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  4. Muito bom, mais uma vez!!Eu também não sei viver sem o mar! Olhar a imensidão das suas águas, ouvir o murmurar das suas ondas e sentir a brisa fresca e salgada transmite-me uma tranquilidade e um bem estar inigualável. Nasci no Norte , bem pertinho do Rio Douro, mas com vistas para o Atlântico (bem lá ao fundinho!), mas a sensação é a mesma: não consigo "largar" o sítio onde nasci!

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    1. Agradeço~lhe muito o fantástico comentário que fundamenta igual paixão pelo mar

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  5. E eu hosto tanto de Belém! E dos pastéis! E o mar aí mesmo ao pé!
    É sempre um prazer vir aqui; aprendo tanto, mas tanto e escreves tão bem!
    Parabéns!

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    1. Quem tem que agradecer as vossas opiniões sou eu. São umas queridas, óptimas escritoras, todas com blogs fantásticos que não me canso de visitar. Bem hajam

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É aqui que me mandas dar uma curva