sexta-feira, 1 de junho de 2012

Ensinar, como ?????

É hoje notícia de jornal que um novo diploma do "Estatuto do Aluno e Ética Escolar" vai ser apresentado no Parlamento. O diploma propõe, entre outras coisas,  que os pais de alunos faltosos e indisciplinados possam ser punidos com multas, e os filhos com serviço cívico e comunitário. Já vão tarde. Falharam em educar os pais, e agora querem puni-los através dos filhos. Foram diversas as situações publicitadas nos diversos meios de informação, sobre desrespeito e agressão a professores por parte dos alunos, reforçadas posteriormente com acções idênticas de pais e outros familiares.
 Eu sou suspeita e muito jurássica a analisar estas coisas.
 Sou do tempo do Magister Dixit, e de começar as aulas com a entoação do Hino Nacional com o bracinho esticado. Nos primeiros 4 anos de escolaridade, só tive professoras. A D. Paula, a D. Isaura e a D. Fernanda, e a educação dita fascizante que me foi injectada, ainda  agora é a base do que eu sou e do que eu sei. Eram rigorosas, metódicas e muito pouco flexíveis. Adorávamo-las, mas principalmente temiamo-las... muito... e havia a régua e o ponteiro; desses, não guardo boas recordações.
 Vivíamos a altura megalómana do Mundo Português , por isso aprendíamos sobre Portugal como um todo, Metrópole e  Colónias além Mar... e aprendíamos tudo, e ai de quem não soubesse. Faziamos provas mensais em folhas de 35 linhas com uma margem dobrada do lado esquerdo, a caneta de tinta permanente. Tinhamos aulas de lavores , desenho e pintura, e tudo isto ministrado por uma única pofessora que sabia muito e mantinha na ordem vinte miudas tagarelas.
Os dois anos seguintes, foram os da Escola Preparatória, que como o nome indica, nos preparava para a vida do Liceu. Já tinhamos as disciplinas separadas por temáticas, e um professor para cada área. Muito agradeço à D. Fernanda , professora da 3ª e 4ª classes, tudo o que nos ensinou e as bases que nos deixou, principalmente na Matemática, e que permitiram que fizesse estes 2 anos com uma perna às costas.
Depois veio o Liceu. Muito difícil, muito exigente, mas por pouco tempo. Só até 1974.
Todos nós sabemos que o ensino pagou muito caro o preço da Liberdade. Foi horrível ver a degradação cada vez maior da qualidade do ensino em Portugal. Falo por experiência própria como aluna, e pela experiência como mãe e encarregada de educação.
Incuti às minhas filhas o gosto pela leitura, pela cultura geral e pela valorização pessoal. Quando uma delas, por estar doente, faltou praticamente um mês inteiro, falei com a professora (que tinha faltado ela própria 50 dias), e opinei que a minha filha deveria repetir o ano , porque não estava preparada para seguir em frente. A reacção da senhora foi surreal , e a garota transitou completamente "coxa".
A queda  do Ensino foi a queda mais marcante verificada em Portugal nos últimos 30 e muitos anos. Não há qualidade nem responsabilidade, nem, acima de tudo, respeito. Foi um completo deixa andar. Agora querem, mas já não podem. Não conseguem. Perderam os alicerces fundamentais, e duvido que os consigam reerguer com multas e trabalhos comunitários. Isto sem falar nas minorias, que não se enquadram por razões de raça ou credo, pois não sou de modo algum xenófoba, mas teria certamente algumas considerações a tecer, que por agora ficam para outros Ditos e Escritos.
Será pedir muito que os Portugueses, para além de ler,  saibam pelo menos escrever ??? Se atentarem nas notícias de rodapé que acompanham as notícias de todos os nossos jornais televisivos, vão seguramente concordar que eu tenho TODA a razão....


http://www.publico.pt/Educação/tarefas-a-favor-da-comunidade-para-os-alunos-faltosos-1548376

8 comentários:

  1. Gostei muito do texto, sobrio de boa leitura e acima de tudo com conteúdo e bons argumentos. Apesar de concordar com a maior parte dos argumentos, deve salientar que nem tudo é assim tão mau. É verdade que o ensino tem sofri muito na sua qualidade, mas o problema da insoburdinação meu ponto de viste tem duas causas. O primeiro devido à autoridade que foi sendo retirada aos professores e proteção do aluno, passando o aluno a ver os seus "direitos" como razões para se portar mal, sabendo que estaria em vantagem sobre o professor. O segundo motivo foi precisamente o ensino fascisante e rigido aos pais dos alunos. Uma grande parte ficou com rancor ao professor porque lhe batia por se portar mal ou simplesmente por não aprender. Esses são os que insentivam o mau comportamento e ameaçam os professores dos filhos porque foram repreendidos. em suma apesar do ensino ter mudado e termos de baixar na qualidade e padrão para mostra-mos bons numeros lá fora, o que mudou foi a atitude dos professores e alunos perante o ensino. Quem quer estudar e aprender pode continuar a fazê-lo.

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  2. Já agora o texto tem erros, mas escever no TLM não é fácil :)

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  3. Os pais DESTES alunos só conhecem a palavra fascismo dos livros de história ou da fersta do Avante, e não fazem a mais pequena ideia do que ensino fascizante quer dizer, pequeno. Estás a pular gerações

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  4. Precisamente, o problema é que essa memória foi passando ao longo das gerações. Eu ainda sou do tempo em que quando a professora dizia a um pai que o filho se portou mal, ele levava porrada logo na sala á frente da professora, porque a desrespeitou e envergonhoi o pai. Por outro lado o Pedro já tem pais do colegas dele que quase batem na professora porque ela ralhou com o menino. A atitude por parte desse pai é justificada com a frase "eles dantas davam porrada a torto e direito, faziam o que queriam, agora não admito que ela 'bata' no meu filho".

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  5. Bem, mas é necessário contextualizar as coisas. Aqui em Lisboa, no palco de todos os acontecimentos, por exemplo, as coisas descontrolaram-se mais depressa. No norte e nordeste, as pessoas são extremamente arreigadas às tradições, por isso no teu tempo ( até parece que és um jarreta, rapaz...)as mudanças aí ainda não eram muito acentuadas. E assim, num período de 20 anos, começou tudo a descambar. Aqui, com o PREC em vigor, descambou logo. LOGO !!! Eu no liceu, com 16 anos já participava em greves, pelenários , manifs, sessões de esclarecimento ( tínhamos que ir, para nos enquadrarmos), e isto tudo em tempo lectivo. Faltas ? nop! E ai do professor que reclamasse : era rotulado de fascista e era muitas vezes saneado. Estas coisas eram normalíssimas nos grandes centros estudantis, com muitos liceus e com universidades. No norte, nordeste e interior do País, as coisas foram acontecendo progressivamete, á medida que eram cridas mais escolas e Universidades. A UM começou a actividade académica por volta de 76, e os alunos que já vinham de escolas tradicionais, continuaram a seguir a tradição e a transição não foi de modo nenhum imediata.
    Quanto ao que contas do Pedro, só reforça a minha opinião. Muitas dss crianças que são educadas pelos filhos das antigas crianças da revolução, não têm entendem noções tão básicas como família, educação e respeito, porque foi coisa que em casa tiveram muito pouco. Arrepia-me só de pensar como serão os bisnetos da Revolução...

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  6. Sim, obviamente que as coisas noa grandes centros se passavam de outra forma, alia, ainda hoje assim é. Eu continuo a dizer que o resto do país assiste pela televisão ao que se vai passando no mundo (Lisboa) e só tive a verdadeira percepção disso no tempo que aí estive. O que me preocupa é o facto de apesar de tarde, as coisas quando chegam cá e ao resto do país já chegam distorcidas, das mais diversas formas, e as pessoas absorvem as ideias de forma errada, na maior parte dos casoa nem sabendo sequer o porque ou a causa. No país esta a aparecer a pseudo-intlectualidade e o pseudo-elitismo, que mais uma vez na minha opimão está a crescer de uma forma errada. Enfim, esperar para ver.

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  7. ... e os pseudo-trabalhadores, os ricos de meia tigela,os deslumbrados da vida, etc,etc. ... é como dizes... aguardemos....

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  8. Não imagino onde iremos parar.
    Os nossos governantes vivem completamente alheados da realidade.

    Um texto para refletir e tentar não desesperar.

    Beijinho

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É aqui que me mandas dar uma curva