terça-feira, 5 de junho de 2012

A Caravana IV


Depois do rio de lágrimas que é tão típico das despedidas, num dia tão nublado como o nosso estado de espírito, voltámos á Variant, para começar mais uma etapa desta aventura dos 5. Desta vez, “ our ride was pimped” com alguns gadgets avant garde que adquirimos na Alemanha, tipo uma capa impermeável adaptável, própria para porta malas, que substituiu a lona, e uns ganchos “aranha” que prendiam aos ferros e seguravam a bagagem no lugar, e que substituíram as cordas; já parecíamos então turistas a sério!

Claro que o problema das fraldas do Menino foi imperativo durante a viagem de ida. Depois de devidamente despojadas de dejectos e lavadas nas banheiras dos quartos de dormir, eram postas a secar ao vento nas janelas da  Variant, presas por uma ponta ao vidro que depois se fechava, quais bandeiras brancas, fazendo-nos parecer um carro duma ONG a entrar com o estandarte da paz numa zona de conflito. Muito mais avançadas do que nós, as crianças alemãs já utilizavam fraldas descartáveis, produto de luxo, mas eficaz, que nos proporcionou uma volta muito mais tranquila e turística.

Então através das maravilhosas autoestradas, partimos de Solingen rumo a Paris, onde pernoitámos, comemos baguettes , fomos ver os monumentos e ficámos rendidos ao seu encanto e história. Ninguém subiu á Torre Eiffel, mas eu e o pai subimos o Arco do Triunfo. Paris á noite é magia, luz e cor, e há 40 e tal anos, era, para uma garota de curtos horizontes, o País das Maravilhas.

O pai ficou febril, e como era o único que conduzia, resolveu na manhã seguinte conduzir o máximo possível antes que alguma gripe que estivesse á espreita, atacasse com força. Saímos bem cedo, e parando sempre que necessário naqueles lugares maravilhosos chamados Áreas de Serviço, chegámos já quase de noite a San Sebastian. Gostava de referir que, já naquela altura, medicamentos tão básicos como Aspirina, nos outros países não eram de venda livre, por isso se não fosse a boa vontade e grande simpatia das duas velhinhas donas da pousada onde ficámos na Costa do Golfo de Biscaya,  o pai não teria melhorado.

Comer pintxos na Parte Vieja da capital do país Basco, é do outro mundo!!  Não voltei a San Sebastian, mas está na minha Bucket List.

Última paragem, Ciudad Rodrigo, cidadezinha quase medieval na fronteira com Vilar Formoso antiga, romântica e com um céu estrelado como vi poucos, onde aprendi á custa da minha teimosia, que judias verdes, é simples  feijão verde, e como foi o que insisti comer, foi o que tive para jantar.

E eis-nos de volta a casa, pouco mais velhos, muito mais sábios, cansados desta aventura e maravilhados com tudo o que ela nos proporcionou.

Os relatos da viagem eram contados pormenorizada e incansavelmente em todas as reuniões familiares e sociais pelo pai, que apanhou seguramente o vírus das viagens de automóvel, proporcionando-nos a partir daí férias memoráveis, lá fora, cá dentro, sempre animadas e diferentes.

O pai teve o primeiro enfarte aos 42 anos, que lhe fragilizou a saúde e levou com ele quase todo o espírito de aventura. Mas as memórias perdurarão sempre e como são valiosas, tentarei registá-las o melhor que souber e puder noutros Ditos e Escritos.


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É aqui que me mandas dar uma curva