domingo, 17 de junho de 2012

O Fungagá e a Bicharada ...


Descrição:
Um animal de estimação (ou mascote) é um animal doméstico seleccionado para o convívio com os seres humanos por questões de companheirismo ou divertimento, o que não significa que essa seja a única função dessas espécies na nossa sociedade. O cão, por exemplo, é muito usado não só como animal de companhia, mas também na caça, na guarda domiciliar, etc.



Crescer em Lisboa, num 3º andar sem elevador, apesar de ter uma vista fantástica, a contar vinda do céu, não proporcionava às crianças daqueles tempos ter um animal de estimação cuja higiene não fosse prática. O pai era alérgico a gatos, por isso só nos foi permitido ter canários, periquitos, um cágado, o Omar Lombrando ( em homenagem aos meus actores de cinema favoritos )e até  um hamster.

Nos idos dos anos 60, num daqueles passeios de improviso que o pai nos propunha quando chegava do trabalho às 6ªs Feiras á tarde, fomos até ao Porto, e encontramos a  Delilah ( como a música TÃO em voga do Tom Jones), uma pequenina pequinois arraçada,  perdida, sequiosa e esfomeada, mas tão meiguinha, que convencemos o pai a trazê-la para Lisboa connosco, e foi a nossa companhia durante muitos anos. Depois do pai falecer, a mãe e o menino ficaram sozinhos naquela casa silenciosa demais. Foi então que o Gorby se juntou á família. Era um magnífico Husky Siberiano, de raça pura e credenciais no CPC, onde constava com um nome principesco, mas para nós era só o Gorby. Quando era pequeno, já se anunciava possante, mas nunca se imaginou o quão forte se tornaria. A casa tornou-se pequena demais para ele, e levá-lo á rua era um pesadelo, pois arrastava-nos literalmente pela trela e passeava-nos por onde lhe apetecia.

A decisão de dar o Gorby ao padrinho do menino, que tinha uma casa com jardim junto á praia, foi triste , mas muito acertada. O Gorby teve a existência mais feliz que um um cão possa ter tido, durante os 15 anos da sua vida.

Acabou ! Pets, no more ! … mas claro está que, como diz o poeta, mudam-se os tempos, mudam-se as vontades.

       Em 2000, já neste modesto 9º andar, a contar vindo do céu, as filhas chegam em casa uma tarde, afogueadas e temerosas , com uma trouxa de roupa embrulhada, do qual retiraram o Lucky (porque até foi um tipo com sorte)… era ruço, magérrimo, mais pulgas que gato, e foi o nosso grande amigo e companheiro durante 9 anos. Foi um valente bichano, mas a doença levou a melhor.

Acabou ! Pets, no more !!! … não quero chorar mais; nunca mais quero que aqueles sentimentos de impotência e culpa se voltem a apoderar de mim. Não, não vamos ter mais bichos em casa.

Se existe algo eu possa elogiar a 300% á  minha pérola mais nova, é a sua persistência. E como água mole em pedra dura, tanto bate até que fura, há um ano e picos adoptámos duma ninhada vadia, não um, mas dois gatos, que são os meninos dos nossos olhos. Mais uma vez valeu a lei do menor esforço e em vez de Rum Tum Tugger e Mister Mistoffelees, que eu tinha proposto, por serem manos, de mais fácil reconhecimento, e um mais escuro e o outro mais claro,  ficaram Sam e Dean, como os Winchester .

São uns patifórios trapalhões, mas tão engraçados e tão meigos, que sem eles a nossa vida jamais poderia ser a mesma. Curiosos e atrevidos, são uma companhia constante e incondicional, para quando estamos sozinhos e precisamos de conversar, sem ser só com a ponta dos dedos.
Nada pedem em troca senão água , comida e carinho. Sabem quando estamos doentes ou tristes, e conseguem transformar  alegremente a nossa depressão. São uns compinchas os meus pequenos.
A sua última proeza é abrirem a porta do roupeiro dos casacos e ficarem lá dentro a dormir, tão quietos, como se tivessem desaparecido por magia. Até sabem que eu preciso de exercício, e fazem-me calcorrear a casa toda á sua procura !!! Que Mariolas !

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