quarta-feira, 13 de junho de 2012

Banda Desenhada, a minha banda favorita...



Banda desenhada, BD ou história aos quadradinhos é uma forma de arte que conjuga texto e imagens com o objectivo de narrar histórias dos mais variados géneros e estilos. São, em geral, publicadas no formato de revistas, livros ou em tiras publicadas em revistas e jornais. Também é conhecida por arte sequencial e narrativa figurada. A banda desenhada é chamada de "Nona Arte"



Sempre fui uma pequena muito dada a leituras. Não fui uma early bloomer para o mundo maravilhoso dos livros, porque achava entediante ler um volume só com letras do qual não conseguisse ver o final ao fim num par de horas. Saber esperar nunca foi uma das minhas virtudes, até que descobri o mundo maravilhoso da Banda Desenhada. O pai era um ávido leitor de BD , e lia tudo o que aparecia lá por casa : Mosquito, Cavaleiro Andante, O Mundo de Aventuras, O Falcão com o nosso Major Alvega, os Almanaques Disney  e finalmente o Almanaque Tintin , o Spirou e os Comics da Marvel.

O Tintin era um semanário de  BD, com várias histórias e diversos  heróis. Todas as semanas saía uma nova revista, com as continuações das várias histórias e sempre com um capítulo novo sobre as aventuras do nosso herói favorito. Semanas havia, em que era uma crueldade intolerável aguardar pelo dia da saída novo número, e era sempre uma guerra lá em casa para decidir quem seria o primeiro leitor.


Numa altura em que conversas sobre a  política e o estado da nação não só eram praticamente  inexistentes, como tabu, a família vibrava á mesa do jantar com os feitos dos nossos ídolos, fossem eles os irmãos Metralha e a Maga Patalógica, o Capitão Haddock e os Dupondt, Blake & Mortimer, Michel Vaillant & Steve Warson, …  A minha heroína e role model era a Mlle. Colombe Tiredaile das aventuras de Olivier Rameau… Que rapariguinha dos seus 10 anos não sonhava vir a  ser um assombro ??


A minha primeira grande paixoneta foi o Corto Maltese, o irreverente marinheiro de La Valetta, obra do visionário Hugo Pratt.  Posso afirmar categoricamente que foi a única paixão constante na minha vida,  que se manteve desde a pré-pubredade até aos dias de hoje, e que influenciou tanto o meu gosto pelas viagens, como os meus temas de decoração. A Balada do Mar Salgado, A Fábula de Veneza, Sob o Signo de Capricórnio… Rasputine, Pandora, inúmeras figuras e lugares históricos onde a mística se mistura com a realidade, e os factos dançam o "Tango" com a ilusão.

O gosto pela Banda Desenhada fez-nos coleccionadores ávidos das obras completas de Morris, Goscinny e Uderzo, e dos seus heróis Asterix e Lucky Luke,  Edgar P. Jacobs, o pai de Blake & Mortimer, Hergé e o todas as maravilhosas personagens que povoam as Aventutras de Tintin, Blueberry,  e o meu Corto Maltese,  claro está, o defensor dos fracos e oprimidos, o anti herói que no fim pode até ficar com a rapariga, mas nunca vivem happily ever after.


Ler BD, não é somente ver bonecos. É apreciar obras de arte com história. Todos os livros do Corto Maltese apresentam algum elemento factual . Blueberry conta a guerra civil americana; ler Asterix é aprender a brincar Roma Antiga e os Gauleses, Lucky Luke descreve sarcasticamente bem a Conquista do Oeste…


Mais recentemente as obras de BD , a agora chamada 9ª arte, apresentam autores com qualidades gráficas excepcionais que aliadas a excelentes argumentos de ficção criam publicações encantadoras e  inesquecíveis. Dou como exemplo François Bourgeon e as notáveis series “Os Passageiros do Vento”, “Os Companheiros do Crepúsculo”  e “ O Ciclo de Cyann”.


A Banda Desenhada é um mundo onde nunca há tédio, há sempre esperança, e até nas virtuosas B&W ( .. aquele ÚNICO Tarzan do Russ Manning) existe uma luz fantástica, que sempre, mas sempre, nos arranca no mínimo o esboço de um sorriso de contentamento no final de cada leitura.
Para mim, ler Banda desenhada também é aprender com rigor a ver bonecos, e tenho muita pena de ter falhado um pouco em passar esta a mensagem á minha posteridade.

4 comentários:

  1. Adoro BD e gostei muito do seu post! Já agora aproveito para lhe dizer que vou ser uma visita assídua do seu blog, pois gostei imenso da sua escrita. Obrigada pela partilha!

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  2. Gostei deste texto.. Escreves mt bem :) talvez tenha sido de tanta leitura :)

    http://pegadafeminina.blogspot.com/

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  3. Viva Mia , fico contente que tenha gostado. Normalmente os amigos e conhecidos dizem muito bem, mas comentam muito mal, e nós gostamos sempre de opiniões. Estive a ver o seu blog, e vou seguir atentamente. É divertido e actual. ;-)

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  4. Entusiasta e fã de BD que me considero desde o início dos anos 70, e na minha busca constante sobre assuntos sobre esta matéria, não poderia ficar indiferente ao seu post, com o qual me revejo e identifico na totalidade.
    Também eu cresci num ambiente em que se respirava BD, a própria zona onde então morava era propícia a isso, pois para felicidade minha, a casa de meus pais ficava paredes meias com a editora Bertrand e outras gráficas tais como a IBIS que produzia muitas das colecções de cromos que todos os jovens da nossa geração então consumiam.
    Como deve calcular livros, revistas e colecção de cromos não faltavam lá em casa. As tardes em que não havia escola, eram passadas a consumir BD. O Falcão, o Condor, Mundo de Aventuras, foram alguns entre os muitos semanários de banda desenhada que consumíamos lá em casa. Mas o que mais me marcou foi sem dúvida o contacto com a BD franco-belga, através desse maravilhoso e saudoso Semanário Tintin para jovens do 7 aos 77 anos. De facto, heróis como, Corto Maltese, Bernard Prince, Luc Orient, entre muitos outros, fizeram sem dúvida também, as minhas delicias naquela época, e ainda hoje continuo a ser um assíduo leitor de BD, de tal forma que acabei de completar essa magnifica colecção de 12 livros da Serie Bernard Prince (By Hermann) editada pelo jornal o publico.
    Achei muito curiosa aquela sua observação sobre a passagem de testemunho pois eu sofro exactamente do mesmo mal, por muito que o tivesse tentado também não consegui passar o testemunho, as novas tecnologias foram mais fortes.
    Resta-me dar-lhe os parabéns pelo excelente post, é necessário e imperioso que se continue a falar de BD desta forma tão apaixonada. Bem-haja!

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É aqui que me mandas dar uma curva