quinta-feira, 21 de junho de 2012

As florzinhas, as abelhinhas e outras tretas que não explicam nada...

SEXO:

A palavra “sexo” (do Latim secare: cortar, dividir) originalmente refere-se a nada mais do que a divisão da raça em dois grupos: fêmeas e machos. Todos os indivíduos pertencem a um destes dois grupos, i.e. a um dos dois sexos. Um indivíduo é ou fêmea ou macho.Contudo, numa inspecção mais detalhada, o assunto não é assim tão simples. Em alguns casos pode ser extremamente difícil determinar se um indivíduo em particular é do sexo feminino ou masculino.


"Ella Fitzgerald enumera: pássaros, abelhas, até moscas amestradas. “Let’s do it, let’s fall in love”, sugeria a cantora, que agora podia acrescentar, nesta lista de animais que se apaixonam, as tartarugas extintas. Não que o sexo pré-histórico seja questionado, mas pela primeira vez descobriram-se fósseis de vertebrados que estavam, literalmente, a "fazê-lo" quando morreram." in O Público

Na minha infância e adolescência, falar de sexo era tabu. Anedotas e piadas de cariz sexual eram cochichadas e contadas de boca a ouvido, deixando a miudagem cada vez mais confusa e curiosa acerca do facto. Á luz dos conhecimentos de hoje, de todos os remoques ditos por meias palavras que consegui captar e que recordo, não consigo encontrar um que tivesse piada.
Nunca ninguém me explicou o sexo;  nada passarinhos ou abelhinhas, e mesmo quando aos 11 anos o meu corpo começou a passar por transformações, tive um tipo de formação instantânea all-in-one de 15 minutos, que a minha madrinha, muito atrapalhada lá conseguiu ministrar, e eu fiquei rigorosamente na mesma quanto ao conhecimento da coisa, mas muitíssimo mais assustada. Fui uma auto-didacta , como outras garotas da minha idade e se algo aprendemos foi em conversas umas com as outras em que "aquilo" "isso" "a coisa" e " o coiso"explicavam tudo. A aprendizagem muito por alto dos aparelhos reprodutivos masculino e feminino em Ciências Naturais quando do estudo do Corpo Humano, deitou mais algumas luz na nossa ignorância, não sem polémica criada por alguns pais puritanos , outros objectores de consciência, que achavam uma total blasfémia ensinar isso aos miúdos."Essa matéria é um nojo, meninas"-  Ouvi claramente estas palavras da boca duma mãe gravidíssima do seu 6º filho, quando estava na escola preparatória .
Depois de 1974, fomos do 8 ao 80. Aquilo que era tabu começou a ser falado, discutido e até praticado indiscriminadamente, o que deu azo a muita gravidez indesejada no verão quente de 75, porque como dizem e bem os ditados " O Fruto proibido é sempre o mais Apetecido" e " Cá vai disto, que amanhã não há ", passou-se da quase inexistente teoria á prática total, e que era inclusivamente encorajada pelos professores ( homens em liceus femininos pela 1ª vez em décadas  !!!) , quais raposas num galinheiro de tenras e graciosas galinholas.
Criaram-se então programas de esclarecimento, onde simpáticas senhoras explicavam o sexo em anfiteatros com plateias mistas e no fim entregavam panfletos,  amostras de pílulas e preservativos, que muitos de nós deitavam fora, ou levavam escondidos para casa, sem nunca mencionar onde tínhamos estado, pois mesmo sendo de comparência obrigatória, nunca foi visto com bons olhos pelos nossos progenitores. Só muito, mas muito mais tarde a educação sexual passou  a ser parte integrante da disciplina de Ciências da Natureza, e  continuou a caber aos pais , como  PRIMEIROS educadores, a tarefa de explicar aos filhos as coisas da vida.
Pela minha experiência como mãe, sempre falei abertamente e de modo esclarecedor sobre as dúvidas que minhas filhas possam ter tido, se bem que ficasse muitas vezes intrigada e a pensar se não estariam elas a testar os meus conhecimentos.
Sem sexo, não poderia haver reprodução e consequentemente a vida na terra não existiria ; não é um bicho de sete cabeças, é algo biologicamente natural e comum a todos os seres vivos, e que com a informação que hoje existe, praticamente ali " à mão de semear", não pode haver desculpas para o despojar das consequências.

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